Começou
a valer hoje (21 de março), o Programa Crédito do Trabalhador, lançado
pelo Governo Federal lançou, no dia 12 de março, que funcionará na Carteira
Digital de Trabalho. O objetivo desse programa é facilitar e reduzir os
juros do crédito consignado para trabalhadores registrados com carteira
assinada (CLT). Somente
hoje foram feitas 15 milhões de simulações. A titular da coluna Tributário em Dia, do ICBR, tributarista e professora da Trevisan Escola de Negócios, Camila Oliveira, explica como funcionará o novo sistema e alerta que todo o processo será feito pelo aplicativo do Carteira Digital de Trabalho. Não haverá contato do banco nem por ligações e nem por aplicativos de mensagens.
Esse
programa foi criado por meio de uma Medida Provisória (MP) assinada pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento no Palácio do Planalto.
A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU)
e, dentro de quatro meses, precisará ser aprovada pelo Congresso Nacional para
se tornar uma lei federal.
O novo
sistema pode beneficiar mais de 47 milhões de trabalhadores, abrangendo
não só empregados CLT, mas também empregados domésticos, trabalhadores rurais e
até contratados por microempreendedores individuais (MEIs), desde que
formalizados.
Uma
das grandes inovações do programa é o acesso de mais de 80 bancos e
instituições financeiras ao perfil dos trabalhadores CLT por meio do
sistema eSocial. Esse sistema eletrônico é obrigatório para unificar
informações trabalhistas, previdenciárias e fiscais de empregadores e
empregados em todo o país.
A
partir de hoje, o crédito consignado CLT começará a funcionar por meio
da página da Carteira de Trabalho Digital, acessível na internet e por
aplicativos de celular. A seguir, você confere os principais pontos desse novo
sistema de crédito, que promete reduzir pela metade os juros cobrados no
crédito pessoal.
Como
acessar o crédito
A
primeira fase do programa, que começou hoje, os trabalhadores interessados em
obter um empréstimo consignado deverão acessar a Carteira de Trabalho
Digital. Dentro dessa plataforma, eles poderão solicitar ofertas de crédito,
autorizando o compartilhamento de seus dados do eSocial diretamente com as
instituições financeiras autorizadas pelo governo.
Os
dados compartilhados com os bancos incluirão informações como nome, CPF, a margem
do salário disponível para consignação e o tempo de serviço na empresa,
sempre respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Após essa
autorização, o trabalhador receberá ofertas de crédito em até 24 horas, podendo
então escolher a melhor opção e contratar o empréstimo diretamente pelo canal
digital do banco.
A
partir de 25 de abril, os bancos também poderão oferecer essa linha de
crédito privado em suas próprias plataformas digitais.
Portabilidade
de crédito
A portabilidade
de crédito, que permite ao trabalhador transferir seu empréstimo para outra
instituição financeira com condições mais vantajosas, poderá ser realizada a
partir de 6 de junho. Ou seja, quem já tem um empréstimo consignado
ativo poderá migrar para a nova linha de crédito, caso queira, em até 120
dias, mantendo-se na mesma instituição financeira.
Redução
de juros
Uma
das principais vantagens do novo programa é a redução das taxas de juros.
Hoje, os juros do crédito consignado podem ultrapassar os 103% ao ano.
Com o novo sistema, a expectativa é que esses juros caiam para cerca de 40%
ao ano, ou seja, menos da metade da taxa atual. Segundo a Federação
Brasileira de Bancos (Febraban), estima-se que, em até quatro anos,
cerca de 19 milhões de trabalhadores CLT optem pelo crédito consignado,
o que pode resultar em mais de R$ 120 bilhões em empréstimos
contratados.
Atualmente,
o crédito consignado para trabalhadores do setor privado é responsável por
cerca de 4,4 milhões de operações contratadas, somando R$ 40,4
bilhões. Esse valor é muito inferior ao disponível para servidores públicos
e aposentados, que têm acesso a mais de R$ 600 bilhões.
Limites
e garantias
Após
contratar o empréstimo, o desconto das parcelas será feito diretamente na folha
de pagamento do trabalhador, por meio do eSocial. Isso facilita a cobrança e
deve garantir juros mais baixos do que os cobrados em empréstimos consignados
feitos por convênios.
Os limites
de consignação para os trabalhadores CLT serão de até 35% do salário
para o pagamento das parcelas. Além disso, será possível usar até 10% do
saldo do FGTS e a totalidade da multa de 40% do FGTS, no caso de
demissão sem justa causa, para quitar a dívida do empréstimo, caso o
trabalhador perca o emprego.
Se a
dívida não for quitada após o desligamento do trabalhador, o saldo devedor será
mantido na conta do eSocial. Quando o trabalhador conseguir um novo emprego com
carteira assinada, as parcelas voltarão a ser descontadas diretamente da folha
de pagamento.
O
sistema do Crédito do Trabalhador foi desenvolvido pela Dataprev,
uma empresa pública de tecnologia vinculada ao governo federal. Esse sistema
integra a Carteira de Trabalho Digital, o FGTS Digital e o eSocial,
facilitando o processo para trabalhadores e bancos.