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A discussão sobre a compensação de gases de efeito estufa para atingir metas Net Zero, bem como a contabilização de créditos de carbono no balanço das empresas foram abordados no treinamento IFRS S2: Divulgação de GEE e a Contabilidade do Carbono, realizado pelo Instituto dos Contadores do Brasil (ICBR), com a participação das Dras. Mariana Fregonesi, Maria Paula Cicogna, Solange Garcia e de Roberto Gonzalez, especialista na área e autor de livros sobre o assunto.  O evento teve o apoio institucional da APIMEC Brasil – Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Brasil.

Mariana Fregonesi destacou que as informações são divulgadas ainda com pouca clareza. E a adoção do CBPS 02 Divulgações Relacionadas ao Clima, a partir de 2026, deve fazer com que essas informações fiquem mais claras e, principalmente, conectadas, ou seja, que o relatório financeiro “converse” mais com o relatório de sustentabilidade, e que se consiga identificar nos dois relatórios esta convergência.

Para a professora Mariana, quando se fala sobre a contabilização do crédito de carbono, é fundamental entender o modelo de negócio na hora de analisar os efeitos que aquele crédito de carbono terá no resultado financeiro e na projeção de fluxo de caixa da empresa. “Quando pensamos em contabilização, é importante pensar nos critérios de reconhecimento contábil, nos critérios para mensuração contábil e quais são os requisitos de divulgação que a norma tem com relação a esse tema”, disse.

Apresentou também as possíveis origens e os possíveis usos do crédito de carbono, porque isso é determinante na hora de pensar na contabilização, porém acredita que isso deve mudar nos próximos anos, com a adoção de novos modelos de negócio. “Com a evolução dos diferentes mercados de carbono, devemos também ter novos modelos de negócios. E já se percebe modelos de negócios diferentes, empresas que não atuavam nessa área, adquirindo organizações que atuam. Ainda não dá para prever exatamente como o  mercado vai se rearranjar”, destacou.

Mariana Fregonesi discutiu também a divulgação de informação de gases de efeito estufa, a partir de exemplos de relatórios de 2023, mostrou o que se espera com a adoção do CBPS 02, a partir de 2026. Para ela, “as empresas tendem a melhorar suas divulgações com a adoção do CBPS 02. O que podemos esperar é que aumente essa conexão entre a informação de sustentabilidade que se enxerga no relatório de sustentabilidade e a informação financeira que se enxerga no relatório contábil financeiro”, afirmou.

 

Mercados

Maria Paula Cicogna disse ser importante que os profissionais relacionados ao tema entendam que existe uma ligação importante que deve ser feita entre a parte financeira, a parte de sustentabilidade e a parte da contabilidade, áreas que devem andar juntas. “Esse evento foi fundamental para promover essa junção de profissionais de diferentes áreas”, comemorou.

Maria Paula disse que no Brasil o grande mercado que já opera há alguns anos é o mercado em que as empresas emitem, compram e vendem os créditos de carbono de forma voluntária. Essa compra, essa venda pode ser feita tanto com o objetivo de fato de compensar as emissões de carbono da empresa, que é o momento em que ela aposenta o crédito de carbono que comprou, ou essa compra e venda pode ser simplesmente feita com o objetivo de ganho financeiro com a diferença de preços, que é o momento em que as empresas atuam como especuladoras do mercado.

Para ela, de qualquer forma, é um mercado em formação que ainda requer liquidez. A negociação é feita em mercado de balcão e não tem padronização e, principalmente, não tem transparência. Afirmou que a falta de transparência é um dos entraves, inclusive, para o desenvolvimento do próprio mercado, uma vez que há muitos fatores que influenciam no preço dos créditos de carbono que são negociados no mercado voluntário e que não estão claros para os investidores. “Então, ter mais transparência na formação dos preços, na divulgação das informações seria fundamental para o crescimento do mercado”, disse.

Maria Paula disse que, paralelo ao mercado voluntário, há ainda dois mercados regulados no Brasil: o mercado do CBIOS, que é um mercado restrito ao setor de biocombustíveis, em que os produtores ou importadores de biocombustíveis tem autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para emitir o CBIOS, obviamente, mediante comprovação por emissão de nota  fiscal e, uma vez que emitem esse CBIOS, as distribuidoras de combustíveis fósseis são obrigadas a compra-los para compensar as emissões que são feitas pelos combustíveis fósseis que vendem. “É um mercado em que existe uma venda garantida, que é regulado, em que a definição de quanto as distribuidoras terão que comprar, pois é feita pela própria ANP. Porém, pessoas físicas e empresas de outros setores também podem comprar o CBIOS como forma de, de novo, ou compensar suas emissões ou se quiserem ganhar com diferenças de preços”, explicou.

O outro mercado regulado que tem no Brasil, foi aprovado pela lei 15.042 no final do ano passado, em dezembro de 2024. É um mercado que ainda não está em vigor, que ainda depende de bastante regulamentação, mas é um mercado de crédito de carbono, que funcionará mediante estabelecimento de cotas de emissão de poluição de gases de efeito estufa, como nos diversos mercados que já têm no mundo, principalmente Europa, em que o governo, por meio de uma agência especializada, definirá para todos os setores qual é a cota máxima de emissão de poluição que podem ter e, a partir disso, vai-se distribuir essas cotas dos setores para as empresas atuantes no setor.

Assim, as empresas que poluírem menos poderão distribuir suas cotas para empresas que precisarem poluir mais e, com isso, cria-se um outro mercado de negociação de crédito de carbono no Brasil. Esse provavelmente entrará em vigor em 2029 ou 2030.

Porém, Maria Paula defende, com veemência, que é necessário que se tenham mais definições para o mercado voluntário, que se tenha mais acesso às informações de negociação, volume e preço das operações, para que o mercado possa se desenvolver de uma forma segura e que contemple a todos.

 

Índices

Para Roberto Gonzalez, Maria Paula e Mariana trouxeram informações altamente significativas para a discussão. A primeira sobre o mercado voluntário e sua regulação, e a questão vinculada a isso, os benefícios relacionados à produção. E Mariana trouxe exemplos de empresas que já prestam contas e como que isso está sendo divulgado, como é que está sendo apresentado, no ativo e passivo.

Gonzalez fez comentários relacionados e exemplos de como isso está impactando a própria Bolsa de Valores. Comentou sobre índices, tanto o índice, o ICO2, que inclui o inventário de carbono, que tem cerca de 62 empresas participantes. Colocou em xeque essa questão, se essas 62 empresas estariam hoje com o grau avançado para divulgar informações requeridas no CBPS02.

Disse que o ICO2, leva em consideração as companhias do IBRX100, que atualmente são 97 empresas, porque tem organizações que tem no índice ações ordinárias e preferenciais. O especialista comentou sobre o CDP, que faz o levantamento também das empresas do IBRX100, sobre a questão de inventário de carbono que as empresas fazem, está ação do CDP é voluntária.

Gonzalez disse que nem todo relatório integrado é integrado realmente, pois “muito dos relatórios ditos integrados são desintegrados, e isso é uma questão importante, relevante, mostra também a importância e relevância da auditoria nesse processo inteiro, e como isso se reflete no mercado, e na Bolsa”.

Para ele, a participação no evento mostrou que o Brasil sabe sim discutir, com propriedade, um assunto de vanguarda e um assunto no qual o Pais está se colocando como uma das lideranças, do ponto de vista internacional.

Também comentou da importância da uniformidade das informações, socioambientais e de governança e como devem estar interligadas com a contabilidade e a importância do papel do CBPS para que isso ocorra no mercado brasileiro.

 

Relevância

Solange Garcia ressaltou a importância do evento, que teve mais de 400 inscritos, demonstrando realmente a necessidade e a demanda que existe sobre o tema de sustentabilidade e contabilidade, no escopo das novas normas IFRS. Para a Conselheira de Administração do ICBR, pelo ponto de vista dos contadores, há essa demanda, porque serão responsáveis pelo relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade,  que passa a ser obrigatório para as companhias abertas, a partir do exercício de  2026, por força da resolução CVM 193.E, também, há um alto interesse dos especialistas em sustentabilidade, porque estes estão muito interessados em conhecer como pode se dar esse relacionamento  entre informações financeiras e de sustentabilidade.

Para ela, o objetivo principal deste treinamento foi propiciar a reflexão sobre os desafios que existem em relação às informações de sustentabilidade e a sua conexão com as informações financeiras e as demonstrações contábeis.

Ela esclareceu para o público geral que o escopo do evento são as divulgações financeiras de sustentabilidade de acordo com as normas internacionais IFRS S1 e S2 que já foram convergidas no Brasil, e nomeadas por CBPS 01 e CBPS 02. As normas foram devidamente traduzidas e estão disponíveis no site do CBPS, o nosso Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade.

O treinamento tratou especificamente da conexão de informações sobre mudanças climáticas, sobre as estratégias de redução ou compensação de emissões de gases de efeito estufa e como traduzir essas informações para a linguagem de contabilidade nas demonstrações contábeis. “E foi possível ilustrar esta conexão com exemplos, utilizando a orientação técnica OCPC 10 que trata da contabilização de créditos de carbono, que foi divulgada em dezembro do ano passado pelo CPC”, ressaltou.

 

Curso da Fundace/USP atualiza sobre as normas IFRS S1 (CBPS 01) e IFRS S2 (CBPS 02)

O objetivo do curso Contabilidade, Accountability e Sustentabilidade, oferecido pela FUNDACE/USP, é atualizar os participantes sobre as normas internacionais para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade IFRS S1 (CBPS 01) e IFRS S2 (CBPS 02).

A estrutura proposta para o curso permite capacitar os estudantes para a interpretação e aplicação das normas no contexto brasileiro, com foco no entendimento sobre a conexão entre as informações de sustentabilidade e seus impactos nos fluxos de caixa e nas demonstrações contábeis, visando subsidiar de forma fidedigna as decisões dos investidores.

O conteúdo do curso também aborda a responsabilidade dos contadores e de profissionais de outras áreas na preparação do relatório para divulgação externa, bem como, no controle e gerenciamento das informações dentro das empresas. 

Desta forma, o curso busca atender a necessidade de preparação dos contadores para conhecer este novo contexto normativo, o conteúdo das normas e os requisitos para preparação dos relatórios. Também, busca oferecer conhecimentos de Contabilidade para os profissionais de Sustentabilidade e demais profissionais que atuam dentro das empresas na preparação de informações de sustentabilidade.

Conheça o curso em: https://www.fundace.org.br/curso/contabilidade-accountability-sustentabilidade