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A Reforma Tributária deixou de ser um debate conceitual para se tornar um desafio concreto na rotina das organizações contábeis. Essa foi a principal conclusão do curso “Reforma Tributária em Foco: mulheres especialistas debatem os impactos e desafios sob a perspectiva de mulheres que vivem o fiscal”, promovido pelo Comitê de Assuntos Tributários do Instituto dos Contadores do Brasil (ICBR).

Mais do que discutir novos tributos, o curso Reforma Tributária em Foco revelou um problema estrutural que já afeta empresas e profissionais: a combinação entre prazos subestimados, excesso de desinformação nas redes sociais e a falta de preparo técnico para lidar com os efeitos contábeis e jurídicos da nova legislação.

Reunindo contadoras, advogadas tributaristas e especialistas em compliance, o encontro destacou que um dos maiores entraves à implementação da reforma não é apenas a complexidade técnica, mas a falta de credibilidade atribuída ao projeto ao longo do tempo, o que levou muitos profissionais e empresários a adiarem decisões estratégicas.

“Acreditou-se que a reforma não avançaria ou que os prazos seriam prorrogados. Agora, com a confirmação do cronograma, o setor vive um verdadeiro sufoco operacional”, afirmou Patrícia Alves, ao relatar a realidade das empresas de pequeno e médio porte, especialmente aquelas atendidas por escritórios de contabilidade 

Outro ponto central do debate foi o impacto da desinformação, impulsionada por conteúdos superficiais e interpretações equivocadas disseminadas nas redes sociais. As especialistas alertaram que esse fenômeno tem levado empresários a decisões precipitadas e a uma falsa sensação de segurança.

“Informação fácil seduz, mas nem sempre leva ao melhor caminho. É preciso buscar fontes técnicas e oficiais”, reforçou Michelle Lorenzo, ao comentar a confusão gerada por anúncios de supostas prorrogações e flexibilizações que não alteram a obrigatoriedade legal da reforma 

Sob a perspectiva jurídica, Nathalia Lisboa destacou que a Reforma Tributária tende a aproximar ainda mais contadores e advogados tributaristas, exigindo atuação integrada. “Não somos concorrentes, somos parceiros estratégicos. A contabilidade chega até um limite técnico; depois disso, o tributarista entra para somar”, afirmou, ressaltando a importância da rastreabilidade das informações para defesa administrativa e judicial 

A contabilização do IBS e da CBS a partir de 2026 foi um dos temas mais debatidos do curso. Para as especialistas, negar o registro contábil de fatos geradores, ainda que sem efeito financeiro imediato, compromete a fidedignidade das demonstrações e fragiliza processos de auditoria, valuation e compliance.

“Nós registramos tudo o que acontece na empresa. Se houve fato gerador, há obrigação de reconhecimento contábil. O debate não é se deve contabilizar, mas onde e como lançar”, explicou Milla Oliveira, coordenadora do Comitê de Assuntos Tributários do ICBR, enfatizando que a contabilidade é o espelho da realidade empresarial, mesmo em períodos de transição normativa 

O curso também abordou os desafios específicos do Simples Nacional, apontando que o novo modelo tributário tende a exigir maior nível de conformidade e planejamento, reduzindo práticas historicamente toleradas e ampliando o controle fiscal.

Ao final, o encontro reforçou que a Reforma Tributária exige não apenas atualização técnica, mas mudança de postura: planejamento contínuo, integração entre áreas e responsabilidade na disseminação de informações. Como sintetizou uma das participantes, “não é mais tempo de esperar para ver; é tempo de se preparar para agir”.

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