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A permanência de talentos na profissão contábil, a formação de lideranças mais representativas e a necessidade de transformar discursos em práticas concretas estiveram no centro do debate promovido pelo Instituto dos Contadores do Brasil (ICBR). O debate ocorreu por meio de live, a qual evidenciou que a diversidade e inclusão deixaram de ser temas acessórios e passaram a ocupar posição estratégica na sustentabilidade da contabilidade brasileira.

Foi nesse contexto que o ICBR oficializou o lançamento do Comitê de Diversidade e Inclusão nas Organizações Contábeis, iniciativa que surge como resposta institucional a uma demanda já presente na academia, no mercado e nas entidades profissionais: tornar a contabilidade um espaço de pertencimento, equidade e desenvolvimento profissional efetivo.

Coordenado pelo Dr. Iago França Lopes, Vice-Presidente de Desenvolvimento profissional do ICBR e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Comitê nasce com a proposta de articular conhecimento técnico, formação profissional e práticas organizacionais. Para o coordenador, o momento exige maturidade institucional. “O desafio agora não é apenas falar sobre diversidade, mas criar mecanismos que transformem esse diálogo em ações concretas dentro das organizações contábeis”, afirmou.

Durante o encontro, os participantes ressaltaram que a contabilidade, enquanto ciência social aplicada, reflete diretamente as relações humanas que a constituem. O professor Dr. Adriano Gordiano, da Universidade Federal do Ceará, destacou que o debate sobre diversidade está diretamente ligado à permanência das pessoas na profissão. “A contabilidade é feita por pessoas, e tudo o que acontece com pessoas é socialmente relevante. Nenhum profissional deve se afastar da área por não se sentir pertencente a ela”, afirmou.

O professor Dr. Samuel Durso, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), reforçou que a diversidade amplia a capacidade da profissão de responder às demandas contemporâneas. “Ambientes diversos geram diferentes perspectivas, fortalecem a formação de competências e tornam a contabilidade mais preparada para dialogar com a sociedade e com o mercado”, destacou, ressaltando a conexão do tema com as diretrizes curriculares e a agenda ESG.

A pesquisadora Camila Silveira, mestranda em Contabilidade pela UFRJ, chamou atenção para a necessidade de romper com modelos historicamente homogêneos. “Não existe uma única contabilidade. Quando incorporamos perspectivas diversas, abrimos espaço para novas formas de pensar, medir e relatar a realidade”, afirmou.

Já a empresária contábil Lisiane Bazzo trouxe o olhar do mercado e defendeu a aplicação prática do debate. “O avanço da diversidade depende de capacitação, ferramentas técnicas e embasamento jurídico. Não se trata apenas de discurso, mas de prática diária nas organizações”, pontuou.

Ao longo da live, também foi destacada a convergência entre diversidade, inclusão e os pilares social e de governança do ESG, apontando novas possibilidades de atuação profissional, inclusive para escritórios contábeis de pequeno e médio porte.

Ao instituir o Comitê de Diversidade e Inclusão, o ICBR sinaliza um movimento de amadurecimento institucional, ao reconhecer que a inovação na contabilidade não se limita à tecnologia ou às normas, mas passa, necessariamente, pelas pessoas que constroem a profissão.

“A diversidade não é periférica. Ela está no centro da sustentabilidade da contabilidade e do seu futuro”, concluiu o Prof. Dr. Iago França Lopes.

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