
O crescimento das oportunidades de negócios no Paraguai, aliado aos desafios tributários para empresários brasileiros, esteve no centro do curso promovido pelo Instituto dos Contadores do Brasil (ICBR), que reuniu profissionais da área contábil, investidores e empresários interessados em expandir operações para o país vizinho. O evento contou com palestras de Luiz Carlos Benner, da TATICCA – Allinial Global, e de Fernando Estigarribia, Auditor e sócio da AYCA Auditores e Consultores, em Assunção, Paraguai.
No encontro, os especialistas apresentaram um panorama detalhado das vantagens competitivas do Paraguai, incluindo baixa carga tributária, custos operacionais reduzidos, incentivos fiscais para exportação e regimes especiais voltados à industrialização e à prestação de serviços. Ao mesmo tempo, alertaram que a atratividade tributária não elimina a necessidade de planejamento operacional, jurídico e fiscal rigoroso das empresas brasileiras.
Logo na abertura técnica, Fernando Estigarribia destacou que o Paraguai vem consolidando uma posição estratégica na América do Sul, atraindo investimentos industriais, tecnológicos e logísticos. Segundo ele, o país oferece um ambiente econômico favorável, com crescimento consistente, baixa inflação e regimes diferenciados para empresas exportadoras. “O Paraguai tem uma carga tributária muito baixa e diversos incentivos para investidores. O regime de maquila, por exemplo, permite tributação de apenas 1% sobre a exportação de produtos ou serviços”, afirmou Estigarribia.
O palestrante também ressaltou que o país possui mão de obra jovem, custos trabalhistas reduzidos e vantagens logísticas importantes, incluindo a integração ao corredor bioceânico e a estrutura hidroviária utilizada para exportações internacionais.
Já Luiz Carlos Benner trouxe à discussão a perspectiva tributária brasileira sobre os investimentos realizados no exterior, enfatizando que muitos empresários analisam apenas a diferença de impostos entre os países sem considerar os reflexos fiscais no Brasil. “A decisão de investir no Paraguai não pode ser baseada exclusivamente na diferença do imposto de renda. Ela precisa estar sustentada por ganhos operacionais reais, como energia mais barata, custos reduzidos e eficiência logística”, explicou.
Durante a apresentação, Benner detalhou três cenários distintos de investimentos realizados por brasileiros no Paraguai: operações feitas por empresas brasileiras diretamente, investimentos realizados por pessoas físicas e situações envolvendo mudança de residência fiscal. Segundo ele, cada estrutura possui impactos tributários específicos e exige análise cuidadosa.
O especialista alertou ainda para a necessidade de observância das regras brasileiras sobre tributação de lucros no exterior, preços de transferência e declaração de saída definitiva do país. “Cada vez menos existe espaço para improvisos. É preciso estruturar a operação corretamente, com planejamento tributário, substância econômica e conformidade legal”, enfatizou.
Mário Shinzato, Vice-Presidente Técnico do ICBR, destacou a relevância do debate para a classe contábil diante do aumento do interesse empresarial pelo Paraguai e reforçou o papel estratégico do contador nesse processo. “O tema desperta grande interesse do mercado e exige preparação técnica dos profissionais da contabilidade para orientar empresários de forma segura”, observou.
Ao longo do encontro, os participantes também discutiram modelos de financiamento, estruturação societária, regimes de maquila, zonas francas e oportunidades para empresas industriais e de serviços. Os palestrantes reforçaram que cada projeto deve ser analisado individualmente, considerando atividade econômica, estrutura operacional, mercado-alvo e regras tributárias aplicáveis em ambos os países.
Encerrando o evento, Benner ressaltou que o Paraguai oferece oportunidades relevantes para expansão empresarial, desde que os investimentos sejam conduzidos com visão estratégica e segurança jurídica.
“Vale muito a pena investir no Paraguai, mas o investidor precisa entender que a vantagem não está apenas na tributação. O sucesso depende de um modelo operacional sustentável e bem planejado”, concluiu.







